A Líbia é a nova base do "Daesh" ou Estado Islâmico


A Líbia é a nova base do "Daesh" ou Estado Islâmico

Os militantes do Daesh ou Estado Islâmico, que se encontram sob crescente pressão da coalizão militar liderada pelos EUA no Iraque e na Síria, estão estabelecendo uma perigosa base na Líbia. O grupo terrorista aproveita do caos que se instalou no país depois que o ditador Muamar Kadafi foi deposto e morreu numa revolução, em 2011, enquanto a presença do Ocidente vem declinando na região.

Os EUA planejavam colaborar na reconstrução da Líbia depois da marginalização de Kadafi, em meio à crescente violência, e do ataque terrorista de 2012 contra as instalações diplomáticas em Benghazi, no qual o embaixador Chris Stevens e três outros americanos perderam a vida.

O EI fixou-se na cidade costeira de Sirte e tenta expandir sua influência na Líbia. “O que mais preocupa é que, se a central do EI decidir investir mais recursos lá, a situação poderá se agravar”, disse Frederic Wehrey, analista do Carnegie Endowment for International Peace. “Os militantes estão pressionando, ao sul e a leste de Sirte, com o objetivo de conquistar o controle das instalações petrolíferas na área”, disse.

“Neste momento, a Líbia, provavelmente, corre o risco de se tornar um santuário do EI”, afirma Patrick Johnson, analista de contraterrorismo da RAND Corp. A expansão do EI ocorre enquanto a iniciativa dos EUA para a formação de um governo de união na Líbia declinam. Washington admitiu, no ano passado, que suspendeu o treinamento de uma força líbia de 5 mil a 8 mil homens, enquanto cresciam os confrontos entre as facções em guerra, até mesmo pelo fato de a Líbia não ter um governo dotado de base ampla, segundo afirma o Pentágono.

Sem a presença de forças terrestres na Líbia, o Exército americano tem se limitado a ataques aéreos ocasionais e a incursões no território. Em 2014, comandos americanos capturaram um dos mentores intelectuais do atentado de Benghazi num ataque-surpresa em Trípoli.

Há duas semanas, os americanos realizaram pela primeira vez um ataque aéreo contra um líder do EI na Líbia. A morte de Wissam Najm Abd Zayd al-Zubaydi, um iraquiano que operava no país, “reduzirá a capacidade do EI de concretizar seus objetivos na Líbia”, afirmou o Pentágono, em um comunicado em que anunciava o bombardeio do dia 13.