Mossack Fonseca tem ajudado ricos a lavarem dinheiro em paraísos fiscais


Mossack Fonseca tem ajudado ricos e poderosos a lavarem dinheiro em paraísos fiscais

Milhões de documentos vazaram de uma das empresas mais secretas do mundo. Documentos confidenciais, revelam como os ricos e poderosos, incluindo os políticos, atletas e magnatas dos negócios fazem para esconder sua riqueza em paraísos fiscais.

O vazamento dos arquivos chegou primeiro ao Süddeutsche Zeitung, o jornal diário com sede em Munique. O documento explica (em Inglês) o plano de fundo eles como eles adquiriram o vazamento de uma fonte ainda anônimo. Eles também têm um vídeo muito esclarecedor (parcialmente em alemão, mas com legendas em inglês), explicando a gênese do vazamento.

Em um artigo, a organização de jornalismo investigativo disse que os documentos revelaram as contas offshore de 140 políticos e funcionários públicos, incluindo uma dúzia de atuais e ex-líderes mundiais e várias pessoas com laços estreitos com o presidente Vladimir Putin da Rússia. A organização disse a repórteres que trabalham em 25 línguas e que tinham usado os documentos para investigar o escritório de advocacia, Mossack Fonseca, e seus clientes, incluindo figuras políticas em países como a Islândia, Paquistão e Arábia Saudita.

Não é ilegal em muitos casos, a existência de contas bancárias offshore. Mas elas são usadas em alguns casos por indivíduos ricos e criminosos para esconder dinheiro e transações, e assim evitar o pagamento de impostos em seus países.

AP relatou que mais de 800 australianos ricos estão sob investigação do Australian Taxation Office por uma possível evasão fiscal ligada às suas supostas relações com Mossack Fonseca.

A defesa de Pervez Rasheed, ministro da Informação do Paquistão. Ele deu essa resposta, citado pela Reuters, quando perguntado sobre empresas offshore supostamente pertencentes ao primeiro-ministro do país, Nawaz Sharif e sua família, como mostrado nos jornais que vazaram a notícia:

"Todo homem tem o direito de fazer o que quiser com o seu patrimônio, jogá-los no mar ou vendê-los. Não há crime em fazer isso na lei paquistanesa ou no direito internacional."

Estes são os principais bancos que abriram a maioria das empresas de fachada:

Rothschild Confiança Guernsey Limited
Landsbanki Luxembourg S.A.
Société Générale Bank & Trust Luxemburgo
Coutts & Co. Trustees (Jersey)
UBS Ag (Succ. Rue Du Rhône)
HSBC Private Bank (Suisse) S.A.
HSBC Private Bank (Mônaco) S.A.
Credit Suisse Channel Islands Limited
J. Safra Sarasin - Luxemburgo S.A.
Experta Corporate & Trust Services Banque

Principais países em porcentagem de tweets para #PanamaPapers.

14% Espanha
12% Argentina
EUA 12%
11% França
5% Alemanha
5% Reino Unido
3% Canadá
3% México
2% Paquistão
2% Brasil
2% Chile
2% Venezuela

Quem é a Mossack Fonseca?

Empresa com sede no Panamá opera em Malta, Holanda, Suíça, Luxemburgo, Chipre, Bahamas e Ilhas Virgens.

Jurgen Mossack, nascido na Alemanha mas que cresceu no Panamá, e Ramón Fonseca, um político do Panamá. Juntos, fundaram a empresa em 1977, que se expandiu para 40 países (via escritórios de representação), com mais de 500 pessoas trabalhando nos cinco continentes. A sua missão é dar apoio jurídico e ajudar a gerir fortunas.

Neste último campo está a criação de empresas em jurisdições como Malta, Holanda, Suíça, Luxemburgo, Chipre, Bahamas e Ilhas Virgens (além do próprio Panamá). Entre si, estas têm em comum o fato de serem conhecidas como paraísos fiscais, beneficiando financeiramente os investidores. E se hoje há um maior combate à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro, nomeadamente via trocas de informações entre países, há ainda muito por fazer nesta área.

Os nomes de Mossack e de Fonseca já vieram mais do que uma vez para as páginas dos jornais associados a escândalos. O mais recente ligava a empresa à investigação Lava Jato.

A Mossack Fonseca, que de acordo com o The Guardian é a quarta maior no ramo de criação de empresas em territórios offshore, já forneceu uma longa resposta em sua defesa. Entre outros aspectos, defende que não permitiu e desconhece o uso de empresas suas por pessoas “com alguma ligação à Coreia do Norte, Zimbabwe, Síria, e outros países” mencionados pelos media envolvidos na divulgação dos dados.

Afastando a ideia de participação em algum tipo de atividades ilícitas, a Mossack Fonseca afirma que não gere as empresas dos clientes nem possui a custódia do seu dinheiro. E refere que já esteve ligada à criação de cerca de 300.000 empresas. “Este fato mostra que a vasta maioria dos nossos clientes usa as empresas criadas para usos legítimos”, diz. No ar, fica a ameaça de a empresa (que pertence à associação de especialistas certificados contra a lavagem de dinheiro) avançar com um processo contra quem divulgou agora as informações que estavam guardadas nos seus arquivos.