O impeachment de Dilma é ruim para a democracia no Brasil?


O impeachment de Dilma é ruim para a democracia no Brasil?

Eu acredito que o próprio impeachment não é nem bom nem mau. Isso só mostra como, em alguns casos, as instituições democráticas podem ser formalmente utilizadas para criar uma aparência de democracia em uma sociedade que não funciona como tal.

O governo de Dilma Rousseff muito provável sua reeleição foi financiada pelo dinheiro ilegal isso parece ser uma das principais questões legais aqui. No entanto, aqueles que estão orquestrando o movimento para levá-la para o fundo do buraco não estão olhando para todos os pontos. Michel Temer, o vice-presidente, foi eleito em conjunto com Dilma. Isto significa que a sua presidência era dependente do mesmo dinheiro sujo que colocou Dilma no poder.

Além disso, há fortes indícios de que muitos dos políticos que vão ganhar poder com o seu desaparecimento - são também acusados no esquemas de corrupção. Não estou admirado que há um sentimento geral no Brasil de que "todos os políticos são corruptos".

De onde é que todo o dinheiro vem? É difícil dizer com certeza, mas com base no que sabemos a partir das últimas notícias sobre as investigações, uma boa parte vem de empresas estatais (dinheiro público no sentido real) e outro (especialmente a parte utilizada para financiar as campanhas eleitorais) vem de empresas privadas e de empresas de propriedades individuais que esperam ganhar contratos públicos para seu próprio benefício privado. Parece que eles encontraram um elevado grau de sucesso com o PT no poder.

Isto não tem nada a ver com democracia. Esta é uma oligarquia disfarçada. O que estamos prestes a ver (quero dizer, o impeachment) não tem nada a ver com o combate à corrupção, mais democrática: esta é uma guerra de guerrilha pelo poder, com um grupo forte derrubando outro.

Será que isso vai ter consequências indiretas, levando as pessoas em geral a se envolverem mais a sério na política, melhorando assim a qualidade das instituições? É muito cedo para dizer, mas a julgar pela experiência do primeiro presidente que sofreu impeachment (Fernando Collor, de 1992), não parece muito provável.

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