Putin e o escândalo dos offshores


Putin e o escândalo dos offshores

Uma dos eixos do gigantesco esquema de corrupção é um grupo de aliados mais próximos do presidente russo Vladimir Putin.

Apesar de o nome do Presidente russo não aparecer em nenhum dos documentos, The Guardian afirma que existe “uma rede de negócios secretos ligados a offshores e empréstimos que desenham uma estrada que conduz a Vladimir Putin”. Este dinheiro “criou fortunas fabulosas para membros do círculo mais próximo” do Presidente russo.


O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, denuncia uma conspiração contra o presidente russo, uma “Putinofobia” que pretende desestabilizar o país:

“É evidente que o alvo principal deste ataque é o nosso país, tratava-se de atacar pessoalmente o presidente Vladimir Putin”, disse Peskov.

Uma das figuras principais no centro do escândalo é Serguei Roldugin, descrito como “o melhor amigo de Putin”. Foi Roldugin que apresentou ao líder russo à sua ex-mulher Lyudmila, e é ele o padrinho da filha mais velha de Putin, Maria. Este homem, prossegue o diário britânico, “aparentemente acumulou uma fortuna” e controla uma série de bens num valor calculado de “pelo menos 100 milhões de dólares”.

O que os documentos da Mossack Fonseca mostram é que este amigo, de perfil muito discreto, tem 12,5% da maior empresa de publicidade em televisão na Rússia, além de percentagens de outras empresas, entre as quais a Kamaz, fabricante de veículos militares, e o Banco Rossiya, um banco privado russo.

Os negócios offshore do Rossiya estão “rodeados por camadas de secretismo”, de tal forma que todas as instruções que partiam do banco em São Petersburgo eram enviadas através de um “intermediário confidencial”, uma firma de advogados em Zurique.

O Süddeutsche Zeitung não revelou aos outros jornais ligados à investigação a identidade da sua fonte, para a proteger, mas tanto o Le Monde como o The Guardian asseguram que a autenticidade dos documentos agora revelados foram confirmados. Parte destes documentos tinham já sido vendidos às autoridades fiscais alemãs, americanas e britânicas ao longo dos últimos anos, o que levou a investigações oficiais a bancos alemães suspeitos de serem cúmplices em crimes de encobrimento de capitais e fraude fiscal.