Dilma Rousseff é afastada da presidência


Dilma Rousseff é afastada da presidência

Dilma Rousseff é afastada nesta quinta-feira da presidência, após a maioria dos senadores ter se manifestado pelo prosseguimento do processo de impeachment.

Por volta das 03H20, o 41º dos 81 senadores já tinham se manifestado a favor do afastamento da presidente para que ela seja julgada pelo Senado, por um prazo de até 180 dias, até uma decisão definitiva.

Após meses de crise política, o Senado decide pelo julgamento de Dilma por "crime de responsabilidade" ao usar empréstimos de bancos estatais para tapar buracos no orçamento em 2014 e 2015, no que pode encerrar os mais de 13 anos de governo do PT.

Às 5H30, 50 senadores (de um total de 81) haviam votado pelo afastamento de Dilma e 20 por sua manutenção na presidência.

O relator Antonio Anastasia citou os motivos que o levaram a considerar que a presidente Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade.

Segundo ele, o afastamento por 180 dias de Dilma não decore da vontade do Senado, mas de nossa Constituição.

Finalizando seu discurso, o senador elogiou o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que fará a defesa da presidente Dilma.
O temor do PT é, inclusive, que 54 senadores ou mais - dois terços do plenário - apoiem o impeachment nesta votação. Esta é a cifra que se requer para o impedimento definitivo de Dilma, ao final do julgamento político no Senado.

A votação no Senado acontecerá ao fim da sessão iniciada às 10H00 de quara-feira, interrompida apenas por breves intervalos.

"É desproporcional, é como se quiséssemos penalizar com pena de morte uma infração de trânsito", disse Gleisi Hoffmann, ex-chefe de gabinete de Rousseff e senadora do PT.

"O impeachment é um remédio amargo, mas necessário" ante a reduzida popularidade de Rousseff (10%), o aumento do desemprego e a queda da produção, disse o senador opositor José Serra (PSDB) durante a sessão.

"O impeachment não é uma medida de exceção, é uma solução constitucional", completou.

Dilma, uma ex-guerrilheira de esquerda de 68 anos, que assumiu em 2011 como a primeira mulher presidente do Brasil, será automaticamente substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, 75, um ex-aliado do PMDB, que se tornou um de seus principais inimigos.

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a polícia militar utilizou bombas de gás e spray de pimenta contra manifestantes pró-Dilma que tentaram romper uma barreira metálica.

No Rio de Janeiro, ocorreram conflitos entre manifestantes pró e contra o impeachment, na Cinelândia, no centro da cidade.

Em São Paulo, cinco pessoas foram detidas pela polícia em meio a confrontos entre partidários do impeachment e defensores da presidente.