Riad: Obama perdeu, mas quem vai perder mais é os EUA


Michell Hilton

Desde que chegou à Casa Branca em 2009, o presidente Barack Obama usou 12 vezes o poder de veto. Nesta semana, a menos de quatro meses de terminar o segundo mandato, viu pela primeira vez o Congresso norte-americano anular uma dessas decisões e aprovar uma lei à sua revelia. Mas, mais do que um revés para o presidente, a situação poderá tornar-se um imbróglio para os EUA - com eventuais consequências não só ao nível da diplomacia como da economia e da segurança.

A nova lei abre uma exceção ao princípio legal da imunidade dos Estados em casos de terrorismo em solo norte-americano. Na prática, isso permite que os familiares das vítimas dos atentados do 11/9 possam interpor processos civis nos tribunais norte-americanos contra membros do governo de Riad, suspeitos de terem apoiado os terroristas - 15 dos 19 eram sauditas, tal como o próprio Bin Laden. 

Os sauditas podem pressionar os aliados no Golfo para deixarem de cooperar com os EUA na luta contra o terrorismo, ou até limitar o acesso dos norte-americanos às bases da região. O Qatar serve de plataforma para as operações no Afeganistão, no Iraque e na Síria.

Justiça contra os patrocinadores do terrorismo

Ligações de Riad com o 11/9 foram revelados em 28 páginas desclassificadas de um relatório do Congresso sobre os ataques. Eles foram finalmente colocados à disposição do público em julho, quase 15 anos depois da tragédia. As páginas mostram que alguns dos sequestradores foram apoiados e assistidos por indivíduos ligados ao governo saudita.


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