quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Refúgio romântico do nazista Goebbels encalha em Berlim

Mansão é colocada à venda pela terceira vez, mas é difícil atrair boas ofertas.

Mansão histórica com setenta cômodos localizada em área tranquila e cercada pela natureza, perto da capital Berlim. A propriedade tem ainda um lago, sala de cinema particular e até um bunker. O preço é negociável. O anúncio pode parecer convidativo, mas não há interessados em comprar o imóvel. O governo de Berlim tenta vender a casa desde 2006 e voltou a divulgar anúncios neste ano. O motivo para o a falta de compradores da casa pode estar relacionado ao último morador: o ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels (1897-1945).

A luxuosa propriedade construída em 1939 servia como refúgio para escapadas românticas de Goebbels, que era casado com Magda e tinha seis filhos. Na privacidade do local, a quarenta quilômetros de distância da capital, ele também dedicava-se aos seus discursos antissemitas. Com os reveses sofridos pela Alemanha ao longo da II Guerra e a intensificação dos bombardeios aliados em Berlim, Goebbels mandou construir um bunker embaixo da casa e começou a passar cada vez mais tempo no local, que se tornou quase a sede informal de seu ministério.

Em maio de 1945, depois da derrota da Alemanha e o suicídio de Goebbels, a casa, que sofreu poucos danos durante o conflito, foi confiscada pelas novas autoridades comunistas e posteriormente entregue ao governo da Alemanha Oriental. Ao longo dos anos, uma universidade de orientação marxista foi construída nas proximidades e a mansão foi virou um anexo de um conjunto de casas construídas em estilo soviético, criando uma propriedade híbrida nos estilos nazista e socialista.

Após a quebra do bloco comunista e o desaparecimento da Alemanha Oriental no final dos anos 80, a universidade deixou de existir e a antiga casa de Goebbels e os prédios comunistas foram sendo esvaziados até ficarem totalmente abandonados a partir do final dos anos 90.

O complexo passou então ao controle do governo de Berlim. Cansado de arcar com os custos de manutenção, estimados em mais de 100.000 euros ao ano (mais de 300.000 reais), o município tentou colocar a casa à venda em duas oportunidades entre 2006 e 2008, mas as ofertas foram rejeitadas por despertarem pouco interesse ou por terem sido apresentadas por potenciais compradores um tanto suspeitos. Um dos temores é de que a casa seja adquirida por neonazistas ou simpatizantes interessados em transformar a casa em um local de culto ao III Reich.

Para o município, mais importante que se livrar da propriedade ou conseguir um preço alto, é encontrar um comprador com um projeto interessante para a comunidade. Um folder de 28 páginas sugere que a propriedade seja transformada em um spa, um hotel, uma clínica médica ou a sede de uma corporação. "A chave não é o preço mais elevado, mas o conceito que vai ser aplicado", disse a porta-voz do Fundo Imobiliário de Berlim, Marlies Masche, ao jornal Die Zeit. O material publicitário não cita o histórico nazista da propriedade, apenas seu uso pelos comunistas.

A nova oferta inclui, além da casa do ex-ministro, as construções feitas nas cercanias. Segundo o jornal Die Zeit, a venda casada despertou mais a atenção de compradores nas últimas semanas e o município está pela primeira vez animado com a possibilidade de finalmente livrar-se da casa.

O fundo responsável pela venda não revela quanto está pedindo pelo complexo, mas, segundo o site de notícias alemão The Local, corretores estimam que somente o terreno de 168.500 metros quadrados - pouco maior que a Chácara do Jockey em São Paulo - pode valer até 15 milhões de euros.

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