quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Michell Hilton

Como ganhar dinheiro com viral na internet? BuzzFeed é uma luz

O site BuzzFeed "Brasil" é um dos maiores fenômenos da web dos últimos anos e o maior responsável pela popularização das listas de todo e qualquer tipo, hoje em dia publicadas em todo e qualquer site.

Como ganhar dinheiro com viral na internet? BuzzFeed é uma luz

Eis aqui uma lista (por que não?) de cinco exemplos escolhidos aleatoriamente na primeira página do BuzzFeed Brasil:

22 cenas que você não vai acreditar que passavam na TV brasileira nas tardes de domingo;
36 fatos que você provavelmente não sabia sobre o jogo Tetris;
22 pessoas que levaram o termo “festa da democracia” ao pé da letra;
37 provas de que o TCC é o momento mais desesperador de sua vida;
16 famosos que já fizeram fotonovelas (e você nem desconfiava).


São compilações triviais, divertidas e ideais para ser divididas com os amigos em redes sociais, como Facebook e Twitter. Mas a receita do enorme sucesso do BuzzFeed não cabe numa lista — pelo menos não numa lista curta.

A empresa aproveitou o poder da distribuição viral na internet como poucas e, com apenas oito anos de vida, é avaliada em 850 milhões de dólares, segundo uma reportagem recente do The New York Times (jornal que tem 163 anos e vale pouco menos do que o dobro desse total, segundo a cotação de suas ações no início de outubro).

O BuzzFeed foi criado em 2006 por Jonah Peretti, um dos fundadores do site de notícias Huffington Post, como uma espécie de laboratório de conteúdos virais. A ideia inicial era simplesmente listar (claro) automaticamente os principais conteúdos virais que corriam na web, com uma produção eventual de material próprio.

Mas em 2008 a direção mudou: em vez de acompanhar os memes — aquele tipo de post em que há uma foto com uma frase supostamente engraçada, por exemplo —, a empresa passou a criá-los.

“A mudança ocorreu meio por acaso”, disse a Exame PME Scott Lamb, vice-presidente da área internacional do BuzzFeed. “Entendemos que tipo de conteúdo as pessoas gostavam de passar adiante e decidimos nos concentrar nisso.”

O sucesso foi enorme, e o BuzzFeed cresceu juntamente com as redes sociais. Hoje, seus sites (além do original, são seis versões internacionais, incluindo a brasileira) recebem mensalmente 150 milhões de visitantes, uma audiência majoritariamente jovem e extremamente antenada com o assunto do dia, da hora ou do minuto.

Como nasceu com dinheiro de investidores, o BuzzFeed pode experimentar com os modelos de negócios. Atualmente, são duas as principais fontes de receita. A primeira é a publicidade exibida nas páginas. É a segunda, entretanto, que diferencia a companhia de outros negócios de mídia. O BuzzFeed mantém uma equipe de 75 pessoas dedicadas a criar campanhas sob encomenda para anunciantes.

O formato é idêntico ao do material publicado no site. Recentemente, por exemplo, o BuzzFeed americano fez uma lista de “17 truques para fazer um churrasco incrível”, promovida pela maionese Hellmann’s. A lista aparecia em meio ao conteúdo do site, com um selo indicando tratar-se de um post patrocinado.

O BuzzFeed não revela suas receitas (estima-se que passem de 100 milhões de dólares neste ano) e afirma que o lucro começou a aparecer apenas no ano passado. Isso não parece incomodar os investidores. A empresa já recebeu cinco rodadas de investimento, um total de 96,3 milhões de dólares.

O grosso veio no mês de julho, com um aporte de 50 milhões de dólares do fundo Andreessen Horowitz, um dos mais influentes do Vale do Silício. O dinheiro não vai ser usado somente para fazer mais do mesmo. A estratégia do BuzzFeed não é ser conhecido apenas pelas listas que produz. A ambição é entrar para certa lista — a das grandes companhias de mídia do planeta.

O movimento começou há três anos, com a contratação do jornalista Ben Smith, do respeitado site Politico, como editor-chefe do BuzzFeed. Mais recentemente, a empresa criou um núcleo de reportagens investigativas, liderado por Mark Schoofs, jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer. Ao todo, a empresa conta com mais de 150 jornalistas entre seus 550 funcionários.

O objetivo é investir cada vez mais em assuntos sérios, com uma abordagem mais parecida com a mídia tradicional. “Nosso negócio sempre foi contar histórias. Só que usamos um formato diferente”, diz Lamb. “Agora estamos partindo para maneiras mais tradicionais. Não estamos tentando reinventar a roda.”

Outro investimento é na área de vídeos, sob o pomposo nome de BuzzFeed Motion Pictures. Alguns têm temas semelhantes aos do site. Outros são mais sérios. A característica comum é o baixo custo. “Uma pessoa tem a ideia, filma, edita e publica”, afirma Lamb. A empresa já é uma das maiores criadoras de conteúdo original no YouTube (e recebe parte da receita da publicidade veiculada com seu material).

Os vídeos do Buzz­Feed no YouTube já foram vistos mais de 1,7 bilhão de vezes. A empresa também produz vídeos sob encomenda para anunciantes — outra nova fonte de receita. Os sócios consideram a possibilidade de até mesmo produzir séries de ficção originais, como fez a Net­flix, que teve enorme sucesso com House of Cards e Orange Is the New Black.

Para além das ambições de querer ser levado a sério, porém, está uma questão estratégica. A audiência pode ser gigante, mas três quartos dela vêm de redes sociais, sobre as quais o BuzzFeed não exerce nenhum controle.

“Se uma mudança no algoritmo do Facebook passar a esconder os materiais compartilhados, o BuzzFeed perde sua principal fonte de tráfego”, diz o analista especializado em tecnologia Gene Munster, do banco de investimento Piper Jaffray.

Um perigo pode vir de dentro. Como todo empreendimento que fica muito grande, o BuzzFeed pode se tornar complexo demais e perder agilidade, algo fundamental numa empresa de internet. Numa entrevista recente ao The New York Times, Peretti se mostrou consciente do risco ao dizer: “Como manter a cultura empreendedora numa empresa que cresce tão rapidamente?”

Agora, uma das prioridades é diversificar a presença do BuzzFeed em vários serviços. Recentemente, o Pinterest, rede social cujo principal atrativo são imagens, passou o Twitter como segundo maior direcionador de tráfego. “As redes sociais estão sempre mudando e evoluindo, mas a natureza humana continua igual”, diz Lamb. “As pessoas não vão perder o desejo de compartilhar.”



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