sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Michell Hilton

Somos todos Charlie, não tanto assim!

News

Há órgãos de informação que se recusam a publicar as caricaturas do jornal satírico francês. Outros estão a rasurá-los. Autocensura?

A liberdade com que o Charlie Hebdo testa semanalmente os limites da sátira nunca foi do agrado de todos, nem mesmo de todos os meios de comunicação social que se solidarizaram com a redação do jornal francês após o violento ataque desta quarta-feira. Nunca foi e continua a não ser: na cobertura noticiosa dos últimos dias há meios que se coíbem de publicar ou difundir as polêmicas representações de Maomé. Outros fazem-no, mas com muitas reservas.

O New York Times, um jornal de referência a nível global, optou por manter a posição de sempre a este respeito: “não publicar imagens ou outro material que tenham a intenção deliberada de ofender sensibilidades religiosas”. “Após cuidadosa reflexão, os editores do Times decidiram que descrever os cartoons em causa daria informação suficiente aos leitores para estes perceberem a história”.

O editor executivo do Washington Post, Martin Baron, afirma nas páginas do próprio jornal que conteúdo que “é incisiva, deliberada ou desnecessariamente ofensivo para membros de grupos religiosos” deve ser evitado. Contudo, o editor de opinião do Post julgou necessária, para contexto, a publicação da caricatura que motivou o primeiro ataque ao Charlie Hebdo, em 2011 – e teve autonomia para o fazer na página do editorial desta quinta-feira. “Penso que ver esta capa vai ajudar os leitores a compreenderem do que se trata”, disse Fred Hiatt.

Por sua vez, a Reuters e a Associated Press, duas das maiores agências noticiosas do mundo, tomaram decisão idêntica e não estão a distribuir as imagens com as representações polêmicas de Maomé. A agência France Presse, por outro lado, pôs em linha fotografias que incluem os cartoons considerados insultuosos. No entanto, nem sempre as imagens da AFP estão a ser publicadas como foram originalmente distribuídas: alguns órgãos de comunicação estão a cortar ou a rasurar as imagens de modo a retirar ou a esconder as caricaturas.




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