22/05/2015

Internet.org de graça do Facebook enfrenta crescente resistência


Internet.org de graça do Facebook enfrenta crescente resistência

O projeto Internet.org, liderado pelo Facebook para levar internet de graça aos 5 bilhões de excluídos digitais, vem enfrentando cada vez mais resistência nos países onde chegou. 

Nessa semana, 65 organizações legais de 31 países divulgaram uma carta aberta para o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmando que o projeto viola “os princípios de neutralidade da rede, ameaça a liberdade de expressão, a igualidade de oportunidade, a segurança, a privacidade e a inovação”.

O grupo, chamado AccessNow.org, acredita que o Facebook está “definindo de forma imprópria a neutralidade da rede e construindo um ‘jardim murado’ dentro do qual os mais pobres do mundo só terão acesso a um conjunto limitado de sites e serviços inseguros”. Fazem parte do grupo seis grupos brasileiros: Coding Rights, Coletivo Intervozes, Instituto Bem Estar Brasil, Instituto Beta para Internet e Democracia (IBIDEM), Instituto NUPEF e Movimento Mega. O AccessNow.org não foi o único a se manifestar. Na segunda (18), a Electronic Frontier Foundation (EFF) defendeu que o “Internet.org não é neutro, seguro e não é a internet“.

As reações tem relação direta com novas regras anunciadas há duas semanas por Zuckerberg para o Internet.org. Criticado por limitar as opções de sites disponíveis, o projeto abriu sua plataforma para terceiros. “Nós trabalharemos com qualquer um que quiser se juntar a nós”, diz Zuckerberg. Isso quer dizer que qualquer um poderá inscrever seu site para ser acessado gratuitamente, desde que cumpra condições criadas para impedir congestionamento nas redes das operadoras. É proibido, por exemplo, chamadas por VoIP ou sites com imagens acima de 1 MB ou aplicações em JavaScript e Flash. Outra novidade que causou estranhamento foi que a encriptação só funcionará no app para Android do Internet.org. Essa é uma das maiores preocupações da EFF: como o tráfego tem que passar por um proxy da Internet.org não encriptado. Na prática, o tráfego de quem acessa a internet a partir de celulares mais simples poderá ser capturado por criminosos ou bisbilhotados por governos.

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