sábado, 2 de junho de 2018

Terá Putin um benefício pela organização da Copa do Mundo?


Copa do Mundo na Rússia

Um interessante artigo da New Statesman tenta avaliar se Vladimir Putin e o governo russo conseguirão algum tipo de benefício político pela organização da Copa do Mundo que está chegando. Desde o início dos tempos que o esporte sempre esteve associado à política; veja-se o caso da Copa de Itália de 34 e das suspeitas de manipulação pelo governo de Mussolini, pela forma como Hitler utilizou as Olimpíadas de 36 para promoção, a dedicação do governo argentino a “sua” Copa de 1978, o boicote mútuo de Estados Unidos e União Soviética nas Olimpíadas de 1980 e 1984, e muitos mais.

Milhões de torcedores estão aguardando o início da Copa, não só pelo espetáculo esportivo mas até pela possibilidade de fazer apostas esportivas no netbet.com ou em outras plataformas semelhantes. O poder social da Copa e do futebol é tão grande que não tem como evitar suas implicações políticas.

O que a New Statesman descobriu

O artigo começa por avaliar o comportamento do organizador e do vencedor da Eurocopa 2016: França e Portugal, respetivamente. Em ambos os casos, o comportamento dos times nacionais não pareceu influenciar em nada a popularidade dos respetivos governos (do presidente François Hollande e do primeiro-ministro António Costa).

Sobre a Eurocopa de 2012, o artigo também não encontrou nada de significativo. Apesar da vitória da Espanha na competição, o governo do Partido Popular acabou por perder as eleições seguintes. Na Polônia, que foi um dos países organizadores do evento (junto com a Ucrânia), as enquetes de popularidade do partido do governo não revelaram qualquer alteração após o evento.

Em 2010, mais uma vez, o partido do governo do país organizador não parece ter beneficiado em nada com a organização. Em Espanha, país vencedor, a popularidade do Partido Popular pareceu subir, mas de forma pouco significativa.

Em 2008, a New Statesman encontrou finalmente uma subida na popularidade do governo que parece associada à primeira das três grandes conquistas do time nacional espanhol. Já para os países organizadores da Eurocopa desse ano, Suíça e Áustria, os efeitos foram perto de zero.

Conclusão: o senso comum estará errado

A conclusão do artigo vai contra aquilo que diz o senso comum. Habitualmente pensamos que acolher um grande evento esportivo mobiliza um povo, diverte também, e se tudo correr bem ajuda a criar orgulho nele mesmo e em suas capacidades de organização. É como se estivesse ainda vigorando o célebre provérbio romano: “panem et circenses”, “pão e espetáculos de circo”, aquilo que as elites romanas precisavam assegurar para que o povo romano se mantivesse calmo e afastado de revoltas.

Contudo, as conclusões parecem ir em um sentido contrário. O povo, independente de sua cultura e de seu regime político, já vê acontecer super eventos esportivos há um século, e sabe separar os momentos de festa daquilo que é mais sério. A New Statesman termina “sugerindo”: não haveria benefício em organizar uma Copa do Mundo, mas poderia ter algum… em vencê-la.



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